As formigas em procissão fazem penitência,
Carregam o ocaso como um rio nos ombros.
A roseira reza de costas com o outono nas mãos.
O menino se ajoelha com um martelo e bate firme
Na cabeça de cada formiga trabalhadeira.
As formigas são vermelhas fugindo da coivara
Com o besouro por cima zunindo, meditando.
A árvore toca em sua flauta a história das rãs.
O menino sabe dos mistérios esconsos dos jardins.
O pássaro num galho desfia com o bico o crepúsculo.
O horizonte cochila,
Se encolhe num ninho de guaxo.
O barranco é uma cama e boceja com muito sono.
O menino ajeita em cruz as formigas sacrificadas.
José Carlos Mendes Brandão (autor do livro: O Sangue da Terra)
É um prazer estar aqui.
ResponderExcluirAbraços.