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sábado, 12 de novembro de 2011

Bendito apuro

Neste dia com ar indeciso
Penso em ti e me sinto feliz
Sei que ao te ver
Acalmará o meu ser porque
É isto o que você me trouxe:
A paz que eu tanto almejava.
Mesmo que por um instante breve
Será como uma brisa leve
Tocando meu rosto
Com meu olhar sempre disposto
A ver teu jeito gracioso a sorrir
Sem pensar no que será do amanhã
E neste embalo
Em que em meu coração há um disparo
A vida se faz completa
Com uma janela aberta
Pro conhecer e pro querer
Pra sonhar e pra sentir
Esse tesouro inalcançável!
Um dia ainda me curo
Deste delicioso apuro...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ouvir estrelas

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas
Olavo Bilac

domingo, 6 de novembro de 2011

O retrato fiel

Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!


Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.


Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;


naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.


Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.


Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.
Gilka Machado

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dias de sol

Num dia luminoso
Com ar despretensioso
A vida vai passando em meio aos seus compromissos
Enquanto eu sigo o cronograma
A mente voa pensando,
Tentando equacionar a questão
Numa praça cheia de árvores de troncos fortes;
Pardais e outros pássaros,
Seria bom ser igual a eles, às vezes...
Fortes a fim de agüentar os trancos;
Livres para ganhar o céu azul.  
Pela rua, gente equacionando também, carros e,  
Neles, mais gente fazendo o mesmo.
Eis a vida: razão pras questões com ou sem razão
E sentimento pra tudo o que não entendemos
Porém sentimos e nem sempre sabemos sentir.
Viver é ter dúvidas, não é?
Então o melhor é deixar que
O rio siga seu curso e deságue
Num mar de incertezas e realizações,
certezas e desencontros,
Enfim nesse nosso louco jeito de viver...