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sábado, 8 de outubro de 2011

(...) Amar também é bom: porque o amor é difícil.
O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.
Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo.
Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura.
Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora,é solidão,
isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido,inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si,por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,uma escolha e um chamado para longe.
(...)Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso
em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão
profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.(...)
Rainer Maria Rilke - Cartas a um jovem poeta

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